A pedra que divide

Houve, por causa dele, divisão entre o povo. Alguns dentre eles queriam prendê-lo, mas ninguém lhe pôs as mãos.

João 7:43-44 (ARA)

Reflexão

Você já foi naquele churrasco em família onde alguém solta, no meio do espetinho: 'Eu acho que Jesus foi um grande mestre, igual o Buda, igual o Gandhi.' E você fica sem saber se discute ou se passa farofa.

Calma. A Bíblia já viveu esse churrasco antes. E o nome dessa cena, em grego, é schisma. Rasgo. Fenda. Rachadura. A mesma palavra usada para descrever um tecido que se parte ao meio. É assim que João descreve o que acontece com a multidão diante de Jesus em João 7. Não foi uma conversa amigável. Foi uma rachadura no povo de Deus.

No último dia da Festa dos Tabernáculos, depois de sete dias de cabanas no telhado e procissão com água da fonte de Siloé, Jesus se levanta e grita: 'Se alguém tem sede, venha a mim e beba.' E o povo se rasga em três pedaços.

O Admirador (v.40) diz: 'Este é o profeta.' Reconhece. Aplaude. Mas não se rende. É o paciente que ouve o diagnóstico, elogia o médico, pega a receita e rasga o papel no estacionamento. Reconhecer Jesus não é o mesmo que se render a Ele.

O Crítico (v.41-42) diz: 'Mas o Cristo virá da Galileia? A Escritura não diz que vem de Belém?' E aí está a tragédia da nossa perícope. O povo conhece a profecia certa (Belém), está diante do cumprimento exato dela (Jesus nasceu em Belém, Lucas 2), mas não verifica os fatos. Fica no rumor. Resultado: rejeitam o Messias com a Bíblia na mão. A meia verdade é o disfarce predileto do orgulho. Ela mata mais que a mentira inteira, porque da mentira a gente desconfia. Da meia verdade, a gente se orgulha.

O Crente que treme (v.43-44) já confessou: 'Ele é o Cristo.' Mas hoje tem medo. Vê os soldados se aproximando, a corda na mão, a cela aquecida. Sente o peito apertar. E é exatamente nesse momento que o Evangelho usa cinco palavras para desmontar todo o pavor: 'Mas ninguém lhe pôs as mãos.' Existe um relógio invisível, e o ponteiro só anda quando o Pai assente. A cruz não foi um plano B do Pai. Foi entrega cirúrgica, na hora exata. E a mesma soberania que segurou os soldados em Jerusalém segura o seu chefe abusivo, segura a sua doença, segura o boleto que você não sabe pagar, segura o filho rebelde, segura o diagnóstico que você teme.

Dicas do Dia

  1. 1Confesse hoje, sem plateia, a confissão de Pedro. Em voz alta, diga: 'Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.' E ouça você mesmo dizendo. Reconhecer não basta. Render é outro nível.
  2. 2Identifique uma meia verdade que está rasgando uma área da sua vida. 'Eu já tentei tudo no casamento.' 'Não tem solução pra minha ansiedade.' 'Eu sou forte, não preciso de ninguém.' Pegue ela e complete a outra metade na Bíblia. A meia verdade só sobrevive no escuro.
  3. 3Antes de dormir hoje, escolha a área que está te tirando o sono. Coloca ela na mão do Pai e fala em voz alta: 'Ninguém põe a mão aqui sem a tua permissão.' Depois feche os olhos. A mesma mão que segurou os soldados de Jerusalém vai segurar a sua noite.
  4. 4Pense em uma pessoa que está no Banco 1 (admirador) ou Banco 2 (crítico) na sua vida. Esta semana, fale com ela. Não pra convencer. Pra contar o que essa Pedra fez na sua vida.

Conclusão do Dia

Diante de Jesus, ninguém fica em cima do muro. Ou Ele é a sua pedra de alicerce, ou Ele é a sua pedra de tropeço. Não dá pra ficar em cima da pedra. Você está sentado em um dos três bancos. Sem terceira opção. Sem meio-termo. E a divisão de João 7 não está em Jerusalém no ano 30. Está em você. Hoje.

Oração

Senhor Jesus, eu confesso hoje, com todo o meu coração: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Eu não te quero apenas como mestre. Eu te quero como Senhor. Tira de mim o orgulho de saber sem render. E me ensina a confiar que enquanto a tua hora não chegar, mão nenhuma se erguerá contra mim sem a tua permissão. Em teu nome. Amém.

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